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Vidas Perdidas

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  Por Miguel Esteves Cardoso VOU falar da coisa mais triste do mundo, mais triste do que a morte, mais triste do que a memória, mais triste do que a tristeza. Não tem nome. Mas é fácil de descrever: é o conjunto de todas as coisas que podiam ter acontecido e não aconteceram. É a vida vinte vezes maior que a nossa vida. É a soma de todas as oportunidades perdidas, de todas as alternativas não-escolhidas, das pessoas que não chegámos a conhecer melhor, dos tempos que não passámos, dos sítios aonde podíamos ter ido e não fomos, dos filhos que não tivemos, da pessoa que mais amámos, das noites que não partilhámos com os nossos amantes, com os nossos amigos, com o nosso sangue.  Esta tristeza não vem de um acaso. Não dói imaginar o que se perdeu sem saber o que se perdia. Nasce da consciência que todas as nossas escolhas acabam por ser interrupções. Os meus pais vão morrer antes de mim, as minhas filhas vão crescer enquanto eu envelhecer, e nunca hei-de recuperar o tempo que não passei com

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Baile de Más Caras

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in K, nº 18, Março de 1992

O Lápis do Lopes

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Por Graça Lobo Fotografia Inês Gonçalves Pedro Santana Lopes é uma daquelas figuras que andam sempre por perto. E quando menos se espera, emerge para dar largas à sua grande ambição. Este texto reflecte bastante da sua forma de pensar, da sua forma de agir, e como se relciona com alguns dos actores políticos mais proeminentes. Pedro Santana Lopes a frio... Não é uma entrevista. É um duelo. Santana Lopes disse o que pôde. Está tudo aqui. Sem tirar nem pôr. K: Como se sente nas suas novas fun­ções? PEDRO SANTANA LOPES: Sinto-me bastante bem, mas ando muito cansado. Neste momento dá-me muito mais traba­lho do que eu julgava. A cultura é um departamento tão grande como os outros e só tem um membro do governo para tomar conta, enquanto os outros departamentos têm três e quatro... Eu nunca fui do género de funcionar a dizer “Ai, sabem, passo as noites no gabinete”, como às vezes os membros do governo dizem “Chego às sete da manhã e saio às onze da noite”. Detesto essa imagem porque ac

Está na cara

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Texto: Miguel Esteves Cardoso Em bom português, a expressão “Estás com boa cara" significa exactamente: "Ultimamente tens andado com má cara." A partir de uma certa idade, a cara י muito importante. De nada interessa uma pessoa sentir-se bem, ou estar bem, ou mesmo ser bem. Em Portugal, todos os check-ups do mundo não valem o olhinho arguto de um transeunte que diz "Estás com má cara". A nossa civilização baseia-se numa ideia tripla: 1.Tudo está na cara. 2.A palavra "cara" é feminina. 3. A mim não me enganas tu. As pessoas podem fazer o que quiserem, mas ninguém liga ao que elas fazem. Para os portugueses só interessa a cara que têm. Pode ser-se arquitecto mas se calha ter "cara de quem nunca fez um desenho na vida" está lixado. Pode nunca ter provado uma pinga de vinho na vida mas se alguém afirma que é alcoólico e há outro que diz "Tem cara disso ... " pode considerar-se bêbado para todos os efeitos. Pode ser a pessoa mais

Instituições: O Bilhar

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Fotografia: Mariana Viegas Chegou o tempo de agir. Espalhados por esse mundo, grupos de homens adultos, liderados pelo neogrunho Robert Bly, dançam ao som de batuques, erguem falos de madeira, perdem-se na floresta, discutem o yin e o yang e o conceito do Novo Homem. Deste hippiesmo mal assumido e recauchutado dizem ser o futuro do sexo masculino. É preciso pensar. A male-bondage ideal é a que primeiro é feita de pai para filho, e depois em instituições saudavelmente criadas para o efeito. Para o verdadeiro equilíbrio masculino encontramos por exemplo os bares, o barbeiro, o alfaiate ou as salas de bilhar. O bilhar é o mais nobre dos jogos. Notem, par favor, como digo jogo e não desporto. No bilhar não há competição gratuita nem fatos de treino. É um concurso de perícia e inteligência e pode-se (deve-se) jogar de smoking, é uma actividade palaciana que dá tanto prazer a quem o joga como a quem vê jogar. Permite conversar, beber e fumar. É perfeito. Pode-se não gostar muito da Franç

Consumo

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in K nº 18, Março de 1992