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Faire-plaie

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in K, nº20 , Faire-plaie , Produções Jesus , Maio de 1992

Fugir de Portugal - Parte 2 - O Ecstasy

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Fotografia: Pedro Cláudio MINUTO ZERO É UM COMPRIMIDO cor-de-rosa, sabe a aspirina e deve engolir-se com água. Custa entre 5 e 10 contos, ninguém sabe onde se vende nem quem vende - mas que ele existe em Portugal, existe. Não nos perguntem mais nada. Esta revista mostra mas não tem de ensinar. MINUTO DEZ NÃO SE PASSA NADA e achamos que fomos enganados. O mundo continua real e continua realmente triste. Os chatos insistem em aproximarem-se à velocidade da luz. Os bares já não dependem da música, nem das mulheres, nem do ambiente: dependem apenas do número de chatos por metro quadrado e das possibilidades práticas de podermos fugir a sete pés. Ao décimo minuto temos a sensação de que nada, realmente nada, nos pode fazer afastar da terra. Começamos lentamente a pensar no momento em que, regressados a casa, teremos algum prazer em rasgar todas as revistas que descreveram, com rigor científico e em monumental delírio, os efeitos do comprimido que os holandeses decidiram criar para a nossa f...

Fugir de Portugal - Parte 1 - O Mezcal

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Um interessante artigo sobre como "fugir" de Portugal, escrito por Alberto Castro Nunes, Carlos Quevedo, Nuno Miguel Guedes, Miguel Esteves Cardoso e Pedro Rolo Duarte. Imaginamos perfeitamente o gozo que deve ter dado escrevê-lo. O artigo vai ser dividido em quatro partes, sendo esta a primeira, e será publicado na sua totalidade ao longo desta semana. " Felizmente o País Real não exige a comparência de todos os portugueses. Podemos não comparecer. Não ligar. Fugir: Não querer saber. Podemos emigrar. Podemos dedicar-nos ao trabalho. Podemos tentar a droga. Podemos enriquecer. Podemos pensar, mesmo erradamente, que a política não é muito importante. Podemos dedicar-nos à família, ao álcool, à vela. Com dinheiro e boa vontade, não é difícil fingir que Portugal é independente do PSD. Nos países mais civilizados, as pessoas mais civilizadas conseguem comportar-se e divertir-se como se outras não existissem. A melhor fuga de todas é aquela que nem sequer admite que anda a f...

As Culturistas

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HÁ UM GINÁSIO encantador na Praça das Amoreiras, o Ginásio Jardim, de ambiente familiar e soalhos luzidios. É lá que se juntam todos os dias alguns rapazes e uma mão-cheia de senhoras casadas com aquele ar eterno de quinze anos. O ginásio é um oásis de saúde, com a luz entrando a rodos e janelas abeirando-se das copas das árvores. Apesar de ser um local onde as pessoas devem exercitar os músculos e soar as estopinhas, o Ginásio Jardim é um repouso. A rotina de quem o frequenta inclui movimentos de aquecimento e, se houver energia, passagem pela sala das máquinas. A sala das máquinas é uma coisa intimidante, com pesos, bicicletas que não vão a lado nenhum e espaldares encostados às paredes. Há lá tudo para tornar as praticantes naqueles seres duros e musculados com braços do tamanho de pernas e pernas do tamanho de torsos. Mas o mais interessante é que nenhuma das senhoras pretende chegar a esse estado, porque, dizem, os músculos são pouco femininos. Acrescentam que não é só a estética ...

Kane Pela Graça de Kane

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SAIA um Kane à pressão para a mesa do kanto, pediu a Kapa pelo telefone. Alegadamente, a voz off era do Direktor. Não exagero ao pensar que milhares de direktores devem ter feito pedido semelhante a milhares de kriaturas como eu neste mês de Maio de 1991. Komemorar o 500 aniversário da estreia de Kane é koisa que não vai eskapar a muitos. Só mesmo, talvez, em 28 de Dezembro de 1995 - quando se comemorar o centenário das sessões dos Lumiere - tantos se vão lembrar ao mesmo tempo do mesmo. É justo? Godard rebola-se no túmulo e do fundo dele - há vinte e sete anos e pikos - responde ke sim: "Malditos sejamos todos se esquecermos, nem que seja por um segundo, que, além de Griffith, Welles foi o único - um para o mudo, outro para o sonoro - que fez avançar este maravilhoso comboiozinho eléctrico em que Lumiére não acreditava. Todos, sempre, lhe deveremos tudo." Por uma vez não era polémiko nem excêntrico. O ke ele disse nos anos 60, mais palavra menos palavra, foi o ke toda a gen...

Delírios...

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FASCINADOS com o estilo que o nosso prezado colaborador António Cerveira Pinto imprime às suas conversas, decidimos tentar descobrir o segredo. CONVERSA COM A.C.P. - Isso está a funcionar? - Espero que sim... - Eu pus pilhas novas. - São alcalinas? - Não, são da Praça de Espanha. - De qualquer modo, podemos começar. - É melhor fazer o teste, porque há coisas que, apesar de tudo, gostava que ficassem ditas. - Vamos lá: atenção, um, dois. - Um, dois, três, quatro, experiência, já chega. Põe para trás. - Já tinhas usado esta cassete antes? - Não sei, vamos ouvir. - Gravou tudo. - Ainda bem, já viste o que era se não estivesse gravado... (risos). - Este gravador é mesmo bom... - Pois, é um sony. - Olha que há sonys que... Eis uma brevíssima selecção do saber reaccionário que tão injustamente é esquecido ou posto de lado pela arrogância inocente de um liberalismo que tantas frustrações causou às últimas gerações. O MEU PAI TINHA RAZÃO (algumas verdades reaccionárias) Para uma mulher, ter c...

Colombo filho de Portugal

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Será assim tão difícil mudar o que nos enraízaram desde pequenos na escola e nos filmes? A K tentou em 1991, tentamos mais uma vez em 2002: "Augusto Mascarenhas Barreto estudou durante 20 anos a misteriosa assinatura de Cristóvão Colombo. Decifrando a cabala, confirmou a tese muitas vezes discutida: Colombo era Português. A decifração sigla-cabalística atribui a Cristóvão Colombo o nome de Salvador Fernandes Zarco. É a seguinte a mensagem explícita da cabala estudada por este investigador: "Fernandus Ensifer Copiae Pacis Juliae illaqueatus Isabella Sciarra Camara Mea Soboles Cubae." A tradução: "Fernando, que detém a espada do poder, de Beja, enlançado com Isabel Sciarra Camara, são a minha geração de Cuba." A assinatura: Salvador Fernandes Zarco O PLANO DO REI D. JOÃO II ...Faltava um agente humano; alguém que reunisse condições excepcionais para convencer os Reis Católicos a abdicarem de uma competição com os portugueses no caminho da Índia; alguém que lhes a...